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Como virar seu cavalo sem puxar a rédea interna

há 3 dias
6 min de leitura
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THE HORSE MAGAZINE. Home page. Disponível em: horsemagazine.com. Acesso em: 13 out. 2026.

 

No artigo “Como usar a rédea externa”, publicado no blog da Horse Guide, falamos sobre essa importante ferramenta de comunicação com o cavalo, sua função no equilíbrio e no direcionamento e, principalmente, sobre como utilizá-la de maneira correta. Agora, vamos voltar nossa atenção para a rédea interna e para um dos desafios mais comuns na equitação: como fazer uma boa curva sem puxar a rédea, mantendo o cavalo equilibrado, alinhado ao movimento e conectado as ajudas do cavaleiro.


QUANDO O CORPO INTEIRO ACOMPANHA O MOVIMENTO


Uma curva bem executada começa muito antes de o cavalo simplesmente virar a cabeça para dentro. Ela nasce da união coordenada entre assento, pernas e rédeas, permitindo que o cavalo organize o próprio corpo e acompanhe a trajetória com equilíbrio.


É comum aprendermos que, para virar à direita, usamos a rédea direita; para a esquerda, a rédea esquerda. De fato, a rédea interna participa da indicação da direção e da flexão do pescoço, mas não deve ser responsável por fazer o cavalo inteiro virar.


Quando utilizada de forma isolada ou excessiva, pode provocar uma flexão exagerada do pescoço, fazendo com que o cavalo perca a conexão com o lado externo do seu corpo. Como consequência, a espádua contrária a direção da flexão exagerada pode escapar para fora, os posteriores podem se deslocar para o lado oposto e o cavalo pode perder equilíbrio e alinhamento.

 

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HARRIS, Susan E. Horse Gaits, Balance, and Movement: Revised Edition. [S.l.]: Turner Publishing, 2016.

Em alguns casos, o cavalo também pode inclinar ou torcer a cabeça para evitar a pressão da embocadura. Ao contrário de uma flexão equilibrada, surgem compensações que comprometem a qualidade do movimento e a comunicação entre cavalo e cavaleiro.


FLEXÃO NÃO É A MESMA COISA QUE ENCURVATURA


É importante diferenciar flexão de encurvatura. A flexão está relacionada principalmente à posição da nuca e do pescoço. Já a encurvatura envolve a organização de todo o corpo do cavalo ao longo da trajetória.


Em uma curva para a direita, por exemplo, buscamos uma leve flexão para a direita, suficiente para orientar o movimento. Não é necessário que o cavalo dobre excessivamente o pescoço. Devemos enxergar somente o canto da orelha e o canto do olho.



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JONG, Marijke de. Straightness Training. Home page. Disponível em: https://www.straightnesstraining.com/. Acesso em: 13 out. 2026.
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DRESSAGE TODAY. Home page. Disponível em: https://dressagetoday.com/. Acesso em: 13 out. 2026.


Um cavalo pode apresentar grande flexão do pescoço e, ainda assim, permanecer praticamente reto da cernelha até a garupa. Por isso, o objetivo não é obter uma flexão exagerada, mas a flexão necessária para que o corpo permaneça organizado e acompanhe a curva a ser seguida.

 

O PAPEL DE CADA AJUDA E DAS RÉDEAS


Uma boa curva é construída pela combinação de todas as ajudas (assento, pernas e mão). Nenhuma delas deve atuar isoladamente, pois cada uma contribui para uma parte do movimento.


A perna interna, posicionada na região da barrigueira, mantém a impulsão e ajuda o cavalo a organizar o corpo ao redor dela, evitando que ele “caia” para dentro da curva.


A rédea interna solicita e mantém a leve flexão para o lado seguindo a curva solicitada. Novamente o cavalo deve olhar discretamente para dentro, de modo que seja possível perceber o olho interno, sem que a cabeça fique excessivamente voltada para o interior.


Já a rédea externa ajuda a controlar a espádua, mantendo o cavalo equilibrado e dentro da trajetória. Ela também contribui para regular o grau de flexão do pescoço e preservar o alinhamento do corpo.


A perna externa, posicionada ligeiramente atrás da barrigueira, controla os posteriores e evita que a garupa escape para fora durante a curva.


Assim, as ajudas internas orientam a flexão e mantém a impulsão, enquanto as externas ajudam a controlar o alinhamento, o equilíbrio e a trajetória.


É justamente essa combinação que permite que o cavalo acompanhe a curva com todo o corpo, e não apenas com a cabeça.

 

COMO FAZER UMA CURVA SEM PUXAR A RÉDEA INTERNA


Agora que entendemos a função de cada ajuda, podemos colocá-las em conjunto para construir uma curva equilibrada.


Ao entrar em uma curva, o cavalo pode tender a inclinar o corpo para dentro, levando o pescoço para o interior e perdendo parte do alinhamento da caixa torácica. Cabe ao cavaleiro organizar esse movimento para que o cavalo não simplesmente “caia” para dentro da curva.


Para isso, as duas mãos devem acompanhar a direção do movimento, sem que a ajuda da mão interna seja puxar para trás. A rédea interna mantém a leve flexão, enquanto a rédea externa controla a espádua externa e ajuda a manter o cavalo alinhado em sua trajetória.


As pernas trabalham em conjunto: a perna interna, na região da barrigueira, mantém a impulsão e evita que o cavalo caia para dentro; a perna externa, ligeiramente atrás da barrigueira, controla os posteriores e impede que a garupa escape para fora.


Em outras palavras: a rédea interna orienta a flexão, a rédea externa controla a espádua externa, a perna interna mantém a impulsão e a perna externa controla os posteriores.


O resultado deve ser um cavalo que percorre a curva com o corpo organizado, sem precisar ser puxado pela rédea interna.

 

A POSIÇÃO DO CAVALEIRO DURANTE A CURVA


As ajudas do cavaleiro não se limitam às mãos e às pernas. O próprio corpo (tronco) participa ativamente da curva. Uma posição equilibrada permite que as demais ajudas sejam aplicadas com mais precisão, sem interferências desnecessárias.


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HOW TO DRESSAGE. How to Turn Your Horse Without Pulling on the Inside Rein. Disponível em: https://howtodressage.com/dressage-theory/turn-without-inside-rein/. Acesso em: 13 out.

PASSO 1 — ENTRANDO NA CURVA

Antes de iniciar a curva, enquanto o cavalo ainda está em linha reta, mantenha o peso equilibrado nos dois estribos e nos dois ossos do assento e as pernas envolvendo o corpo do cavalo de maneira natural sem pressão.


Quadris, ombros e calcanhares permanecem alinhados, as mãos colocadas simetricamente de cada lado do pescoço do cavalo, criando uma base estável e simétrica. A partir dessa posição, as ajudas podem atuar de maneira independente para preparar a curva.


PASSO 2 — ACOMPANHANDO A CURVA

Ao entrar na curva, observe seus próprios ombros. É comum que, sem perceber, um deles se eleve ou avance, alterando o equilíbrio do cavaleiro e, consequentemente, a comunicação com o cavalo.


Para evitar isso, permaneça sentado de maneira estável sobre os dois ossos do assento, mantendo o centro do corpo equilibrado na sela. Os ombros só devem acompanhar a flexão do movimento nem mais nem menos.


A curva deve ser acompanhada pelo corpo, e não criada por uma inclinação excessiva do cavaleiro.


PASSO 3 — GIRANDO O CORPO SEM PERDER O EQUILÍBRIO

Imagine uma linha vertical passando pela sua coluna, entre os quadris e o topo da cabeça. Essa linha ajuda a manter o tronco estável durante a curva.


Em vez de inclinar o corpo ou deixar um ombro cair para um lado, gire suavemente os ombros na direção da curva, mantendo o tronco organizado em torno desse eixo imaginário. Os quadris permanecem no equilíbrio dos ossos do assento apontando para frente.


Em uma curva para a direita, por exemplo, o quadril direito aumenta a pressão sobre a sela impulsionando o movimento, enquanto o esquerdo permanece conectado ao cavalo. O objetivo não é deslocar o peso para dentro, mas permitir que o corpo acompanhe a curva sem perder estabilidade.


PASSO 4 — UM EXERCÍCIO PARA SENTIR O MOVIMENTO

Um exercício simples pode ajudar o cavaleiro a perceber como ombros, quadris e pernas participam da curva.


Em um local seguro e em um ritmo controlado, coloque as duas rédeas na mão externa. Leve o braço interno para trás das costas, posicionando a mão próxima à base da coluna ou ao quadril externo.


Ao fazer a curva, perceba o movimento dos ombros. É possível sentir o ombro externo avançar e o interno recuar, acompanhando a rotação natural do tronco.


Observe também os quadris. O quadril externo acompanha o movimento e mantém a perna externa próxima ao cavalo, enquanto o quadril interno permanece aberto o suficiente para permitir que a perna interna mantenha seu contato.


Durante todo o exercício, mantenha a perna interna ativa, especialmente a panturrilha, para preservar a impulsão e evitar que o cavalo perca energia ou caia para dentro da curva.


O objetivo desse exercício não é ensinar o cavalo a virar sem a rédea, mas permitir que o cavaleiro sinta como seu próprio corpo participa da curva. Quando assento, pernas, mãos e tronco trabalham de maneira coordenada, a curva deixa de depender de uma única ajuda e passa a ser construída pelo conjunto das ajudas.


UMA BOA CURVA É CONSTRUÍDA, NÃO PUXADA


A rédea interna tem uma função importante, mas utilizá-la isoladamente para fazer o cavalo virar pode comprometer o equilíbrio, o alinhamento e a qualidade do movimento. Uma boa curva não depende de uma única ajuda, mas da coordenação entre assento, pernas, rédeas e corpo.


Quando cada ajuda cumpre sua função, o cavalo permanece conectado, equilibrado e alinhado, acompanhando a trajetória com todo o corpo — e não apenas com a cabeça.


Se ainda houver dificuldade para coordenar os movimentos durante as curvas, volte ao básico. Pratique primeiro ao passo, repetindo as curvas com calma e atenção à posição dos ombros, quadris, pernas e mãos. Quando esse movimento estiver organizado e natural, avance para o trote.


No adestramento e em outras modalidades equestres, uma curva bem executada não é simplesmente uma mudança de direção. Ela demonstra a capacidade do conjunto (cavalo-cavaleiro) de manter equilíbrio, impulsão, alinhamento e conexão durante todo o movimento.

 

Este conteúdo é uma tradução e adaptação técnica realizada pela equipe da Horse Guide, baseada no artigo original da revista How To Dressage Como Virar Seu Cavalo Sem Puxar a Rédea Interna

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